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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Plebiscito: Qual é a pergunta?

Foto: Mídia Ninja
"Eu não tenho a resposta, porque não sei qual é a pergunta" disse Renato Russo no show do Legião Urbana. Anos 80. Brasília, eu aluno da UnB começando a trabalhar em comunicação.

A mesma UnB que na última sexta-feira foi invadida por fascistas armados e com bombas de fabricação caseira. Terrorismo? Como chegamos a esta situação?  http://jornalggn.com.br/noticia/como-a-direita-organizou-a-invasao-da-unb#.V2XT0EUvH84.facebook

A imagem ao lado mostra a indignação hoje da comunidade acadêmica. Um dos rapazes na foto parece meu filho. Talvez seja. (Ele estuda lá). De qualquer maneira, esta foto "nos representa".


Sobre o golpe e como chegamos até ele, temos visto várias tentativas de explicação. Em quase todas, é citada a questão da "comunicação". Monopólios, manipulações, inabilidade dos governos do PT em dialogar com setores da sociedade, interesses escusos, despolitização, necessidade de uma regulação do setor (Lei dos Meios), etc, etc...  

Aprendi, nestes muitos anos trabalhando na área, que "comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende". Muitas vezes parece difícil mostrar a diferença entre um governo neoliberal e um governo progressista para quem os vê como sendo "tudo a mesma coisa". 

Neste sentido, creio estar sendo bastante "esclarecedor" o primeiro mês do tal governo interino. As pessoas estão entendendo na prática o quê significa cortar políticas sociais, direitos e privilegiar o tal "mercado". Também começam a entender quem são os beneficiários (ou usufrutuários) dos velhos esquemas de corrupção.

Talvez isso explique porquê os golpistas começam a ser hostilizados em festas populares e até em vôos comerciais  http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/paulinho-da-forca-e-beto-mansur-sao-chamados-de-%E2%80%9Ccorruptos%E2%80%9D-e-%E2%80%9Cgolpistas%E2%80%9D-em-aviao/


Talvez isso explique a popularidade de Dilma, depois de afastada, ter aumentado em 15%, segundo o Ibope. http://www.esmaelmorais.com.br/2016/05/vitima-de-golpe-dilma-recupera-popularidade-diz-pesquisa-ibope/ 

Mas o quê mudou na "estrutura da comunicação"? Nada ou quase nada. Continuam os mesmos monopólios, manipulações...etc, etc.  Mas e o "sentimento" do povo? Mudou? E qual é exatamente este sentimento? O quê realmente o povo quer? 

A presidenta afastada anunciou a intenção de fazer um plebiscito, porém sem dar maiores detalhes do quê seria. Mais do que nunca, acho que precisamos fazer a pergunta certa, né? Caso contrário, só nos restará continuar culpando a "tal comunicação".


quinta-feira, 24 de março de 2016

Meu erro... meu não, do PT

Em 2002, o PT chegou ao poder. Maravilha. Depois de mais de 500 anos teríamos um proletário na Presidência. Tudo vai ser diferente, daqui pra frente. Comemoramos.

Lula precisou jogar segundo as regras do jogo para ser eleito. Aceitou ser embalado para presente, surgiu o Lulinha paz e amor, com a barba aparada e bons ternos. Ouviu-se o marqueteiro. Deu certo. Eleito, tinha que governar. Fez o que todos os governos faziam, o chamado toma lá dá cá da política. Em busca de apoios, distribuiu cargos entre os aliados, trouxe para o governo as velhas raposas dos outros partidos.

Sem dúvidas foi bom. O país retomou sua auto-estima, cresceu, redistribuiu renda, diminuiu as desigualdades sociais, implantou políticas públicas inovadoras, dobrou o número de jovens nas universidades, tirou 36 milhões da miséria, incentivou o mercado interno, etc, etc...

Era assim, o PT governava, mas o PTB tinha o controle dos Correios, o PMDB do DNIT, Portos e onde mais tivesse orçamentos graúdos. E por ai seguia. Era a tal da governabilidade, as tais regras não escritas da política nacional. Quando estourou o escândalo de corrupção nos Correios, que era da cota do PTB, Roberto Jefferson inventou (depois ele mesmo admitiu isso), a história do Mensalão. 

A Globo caiu matando. O resto da imprensa idem. Em cima do PT, lógico. Eles não eram os éticos? Olha só, que vergonha.... enquanto isso, o Governo continuava despejando milhões em verbas publicitárias nestes mesmos veículos de comunicação. Mas, porquê? Ah, eles são poderosos, melhor não comprar briga, diziam... Ali, começou o trabalho de incitação ao ódio contra o PT. 24 horas por dia.

Franklin Martins até que comprou briga com o PIG, ao pulverizar a verba publicitária em inúmeros veículos, dividindo melhor o bolo e contrariando os interesses do grandes grupos de mídia, até então privilegiados. Tornou-se um inimigo do PIG, quase tão perigoso (na ótica deles) quanto José Dirceu.

 Depois dele, já no Governo Dilma,  veio Helena Chagas na SECOM. Era uma tentativa de armistício com a mídia. Deixamos alguém que vocês querem na SECOM e teremos um pacto de cavalheiros. Até que o PIG começou a bater abaixo da linha da cintura e o governo percebeu que não  pode ser "republicano" com o inimigo. Ele não jogará limpo. Mas já era tarde. 

A casa grande nunca iria aceitar um governo que não a representasse. Mas, o medo da mídia não levou ao enfrentamento. O PT não poderia ter feito as mesmas práticas "normais da política", nem ser ingênuo ao ponto de acreditar que teria o mesmo tratamento da mídia que seus antecessores tiveram.

Dai que agora, quando a Globo já é hostilizada nas ruas, nos estádios de futebol, nas manifestações, identificada como "golpista", é exemplar  o professor da PUC SP que se recusa a dar entrevista para ela, porque não concorda com o jornalismo que a emissora pratica e com o ódio que ele dissemina na população. Na mesma semana, eis que já surge um outro caso de recusa em participação no seu "teatrinho" global.

É isso. Não adianta imaginar que simplesmente aparecendo no plim plim estaremos "ocupando espaços". Exceto que seja para o esculacho, como na foto ao lado. Fora isso, dentro das "regras deles", nunca permitirão. Não sejamos ingênuos. Já deveríamos ter superado esta ilusão há tempos. É preciso enfrentar o inimigo (como Lula mesmo disse). E para isso, mostrar que não se compactua com suas práticas é um tapa bem dado na cara. Eles, que já perderam quase toda a sua credibilidade e audiência, que se preocupem. A internet divulga tais fatos. E isso os deixa malucos, como o episódio do triplex em Paraty.

Como diziam os Paralamas: "O meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria...era tudo que eu queria". Mas, não. A casa grande não aceita a senzala.